segunda-feira, 24 de junho de 2013

Sobre as manifestações populares

O que o povo está pedindo?

Um Estado socialista, bons salários e menos impostos. E como se dará isso? Qualquer pessoa que tenha o mínimo conhecimento matemático, econômico e financeiro percebe claramente que a conta não fecha. E nunca fechará!

Os protestos convergiram em uma anarquia total, ou melhor, em um “caos de ideias claras”. O problema é que no meio dessa anarquia existem várias “coisas boas”, coisas que “ninguém aguenta mais”, ou “por tudo que está aí” e por conta dessas coisas boas envoltas em tantas outras “ideias obscuras”, milhares de pessoas de bem são carregadas, ludibriadas por uma falsa esperança.

O desejo do povo é consequência de uma cultura que vem sendo trabalhada há muitos anos, que incentiva o materialismo e o consumismo (tudo que se ganha é gasto com supérfluo: com bens materiais, desejos pessoais, egoísmos pessoais, e não com qualidade de vida, leia-se: saúde, educação, segurança, “futuro improdutivo” ou “velhice”; afinal o Estado garante tudo isso. Para que fazer poupança?), mas também se imbui aos poucos no imaginário coletivo que o socialismo/comunismo é algo bom e desejável, que é o salvador do povo de um sistema “fascista teocrático”, e muitos cristãos embarcam nessa lorota e esquecem de defender os preceitos de sua fé, persuadidos pelo “relativismo moral”. Já li muitos artigos e textos nestes últimos dias de pessoas ligadas a esquerda ou socialistas declarados, são todos favoráveis às agendas progressistas (a favor do aborto, a favor da libertinagem sexual, contra os preceitos cristãos, anticapitalistas, e por aí vai), não se engane!, quando você vota em alguém que é a favor dessa agenda você está concordando e dando seu voto para que essa agenda seja aprovada, e isso não incluí apenas a pessoa do político, mas o partido todo. Cito os artigos do Olavo de Carvalho para a melhor compreensão: http://www.olavodecarvalho.org/semana/031218jt.htm http://www.olavodecarvalho.org/semana/040101jt.htm http://www.olavodecarvalho.org/semana/040108jt.htm 

A coisa pode vir a ficar pior, bem pior! A bolsa da China fechou em queda de 5% esta noite, o Brasil só não está pior por causa da “Mãe China”, se não fosse a parceria o Brasil teria sucumbido nas recentes crises econômicas mundiais. E o cenário começa a ficar tenebroso! Cito o Rodrigo Constantino:
A política econômica é perceptivelmente um fracasso e só serve para dar um ar de “vida boa”, como bem explicou o Marcelo Cerri sobre o que é essa política econômica expansionista vivida no Brasil e na China: “imagina que você é um adolescente e seu pai faz um empréstimo de 500 mil no banco. Daí ele dá um carrão pra você, outro pra sua irmã, compra uma lancha, leva todo mundo pra passear em Paris etc. Você terá a impressão de que está rico, que seu pai anda trabalhando bem com o dinheiro, mas espere uns meses e verá! Analogamente acontece com o Brasil. A política econômica que o Brasil tem adotado desde a entrada de Mantega no MF é a mesma adotada nos anos 70 pelo governo Geisel e as consequências também são as mesmas.”. O pior que o que vemos é a coisa piorando: congelamento de preços e a imposição de vontades por fora do sistema democrático (imperfeito) que nós temos. E estamos seguindo os passos da nossa querida Argentina. Não demora e viveremos momentos de hiperinflação. Corra e compre o seu freezer! Ou seria: "Corram para as colinas!"?

E realmente tem gente que acha que a solução é mais Estado, mais Governo. Não é! Mas isso não significa que a solução seja a inexistência do Estado e nem a do Governo, eles são necessários, minimamente.

Ah! Para os revoltosos que não sabiam nem por que estavam “lutando” ou para aqueles que bravejavam “as 5 causas”, procurem ler pelo menos um pouco a respeito de cada coisa, e não se atenha apenas a resumos dos pensamentos progressistas, conservadores ou liberais. Essa cultura do brasileiro de acreditar nos resumos é que faz com que a mídia seja tão eficaz.

Boa sorte Brasil! Que Deus nos abençoe. Vamos precisar!


MARANATHÁ!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Crítica à rebeldia dos “livres pensadores” de hoje.


Hoje a regra dos denominados “livres pensadores” é a seguinte: “Vamos ser contra tudo o que a Igreja diz! Não importa a qual custo. Vamos argumentar de todas as formas possíveis. Para mostrar que a Igreja está errada. Afinal, ‘Die Religion... Sie ist das Opium des Volkes’, já dizia o magnânimo, excelentíssimo, senhor nosso, o venerável Karl Marx ao criticar a obra de Hegel em 1844. E ele estava certo! Sempre estará!”. Como disse G. K. Chesterton: "Homens que começam lutando contra a Igreja em nome da liberdade e humanidade acabam por abrir mão da liberdade e da humanidade para poder lutar contra a Igreja".

Veja, concordo com Marx ao criticar a religião “enquanto felicidade ilusória dos homens”, pois é isso que boa parte das pessoas “religiosas” buscam na religião: sentir-se bem consigo mesmo e assim acreditar ser mais puro que os outros homens; sentir-se “em alfa”; sentir-se livre do horror do mundo; etc. Nesse aspecto essa religião torna-se o ópio do povo. Contrariamente a tudo isso é que se encontra a doutrina cristã, a qual coloca o mais límpido espelho a frente do individuo e assim ele tem de perceber-se tão pecador como qualquer outro; que insere o individuo na realidade de sua vida pessoal e o retira do nirvana; que o faz perceber que todos os horrores do mundo são reais e tudo o que o homem é capaz de fazer. E, mesmo assim traz uma mensagem de esperança que não se encontra na capacidade humana – pois todo homem é capaz de cometer todo tipo de maldade – mas na perfeição divina. Portanto, a doutrina cristã leva o homem “a exigência da sua felicidade real” e não a felicidade que o mundo materialista e hedonista prega. Como diria C. S. Lewis: “Se você quer uma religião confortável, eu definitivamente não aconselho o cristianismo”. O erro do discurso de Marx é depositar toda a confiança do homem em si mesmo, tornar o homem o seu próprio sol, mas esse sol é muito limitado e sua luz opaca e imperfeita, assim ele próprio cai na ilusão que critica e invalida sua própria filosofia.

A regra dos atuais “livres pensadores” é como um jovem cujo sonho é estudar na universidade mais concorrida de seu país, mas se revoltou contra o conselho de seu pai, e dizia que estava a podar sua liberdade, que isso tudo era um absurdo. Seu pai por experiência tinha-lhe dito: “Filho, não saia de casa no período da tarde para jogar futebol na praça. Fique em casa e estude para o vestibular.”.

O grande problema dos debates de hoje em dia é que todos argumentam como quem discute Futebol Americano sob o ponto de vista do Futebol (Soccer) da FIFA. Ora, é impossível que se entendam e cheguem a um acordo racional e lógico. Para analisar a lógica de qualquer sentença é imprescindível compreender suas premissas básicas e tomá-las – ainda que não as aceite como verdade – por verdadeiras, só então o contra argumento terá lógica e coesão.

Não se deve julgar o cristianismo pelo que alguns cristãos dizem e muito menos pelo que muitos praticam em suas vidas, nisso eu também me incluo. Pois somos todos homens capazes de toda atrocidade possível. E aqui se encontra novamente o erro de Marx, pois seu julgo recai sobre a atitude dos religiosos e não sobre o estudo da doutrina. Assim, acredita que a solução pra liberdade é confiar plenamente em suas próprias capacidades humanas e desprendimento de qualquer doutrina orientadora. Ora, como é incoerente fazer uma pregação e negá-la logo em seguida. É claro, existe muita coisa boa sendo dita, escrita e praticada, mas deve-se comparar se está de acordo com a doutrina antes de criticar. Ao contrário do que se acredita o Método Teológico Cristão em nada é um adversário da Razão.

As investidas de movimentos como o Femen e tantos outros movimentos correlatos contra a Igreja e seus preceitos são incoerentes e irracionais. Negam sua própria causa e demonstram até que ponto certas filosofias se tornam o ópio do povo. Não demora e veremos perseguição contra os cristãos iguais ou até piores as do Século I e seguintes.

R. B. Figueiredo



Confira:






E esses são só alguns casos recentes da barbárie que se pratica nos dias de hoje em nome da liberdade e da razão.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A questão da Liberdade de Expressão e da Homossexualidade.


Há muito leio e vejo tanta desordem e opiniões inacreditáveis (embora por direito livres de serem ditas) a respeito do que se discute em vias públicas sociais, reais e ou virtuais. O certo é que há exageros de ambas as partes, e, mais certo ainda que exista muita ignorância sendo vomitada em demasia. Alerto a quem se aventure na leitura deste texto que não ouso que este seja a verdade suprema, mas o exercício da minha liberdade de expressão e opinião pautadas no meu mísero conhecimento e experiência pessoal de vida.

[Antes de me julgarem preconceituoso e homofóbico faço alusão à minha experiência no curto espaço-temporal de vida que percorri. Tenho um tio homossexual a quem nutro amor imenso; já participei de uma companhia de dança em que tive colegas homossexuais; no grupo de esportes radicais que sou integrante convivi e instruí alguns; no teatro também convivi; na faculdade tem muitos; até mesmo na igreja. Convivi com homossexuais tanto do sexo feminino como do masculino, e sempre os tratei com respeito e afeto, inclusive quando recebi “flertes” pude expor que não era minha orientação sexual com muito respeito e tolerância, portanto já quebre a tendência e o pré-conceito em me declarar intolerante e preconceituoso simplesmente por manifestar a minha opinião. Acusar-me de tal delito seria objetivamente um tiro que saiu pela culatra.
Interessante notar que na atual conjuntura faz-se necessário escrever o parágrafo anterior antes de exercer a liberdade de expressão. Supostamente, o direito é pleno e eficaz sem ter de me resguardar para não ser processado pelo exercício de um direito positivado na Constituição Federal em vigência.]

Alguns amigos católicos já expressaram não saber como lidar ou expressar suas opiniões a respeito da questão, muito menos com os próprios adeptos da orientação homossexual. Em contra partida a reação é quase como a de se pisar em um ouriço, em que se não tomar as devidas precauções pode-se sofrer o infortúnio dos espinhos dolorosos. Também já presenciei católicos expressando asperamente todo tipo de imperícia no que diz respeito ao tema no Catecismo da Igreja Católica (CIC). Li textos de pessoas famosas, consideradas formadoras de opinião, repletos de considerações equivocadas (não citarei nomes por não saber se a autoria procede). Assim a bola de neve se forma, configurando uma situação de tensão social desnecessária e muito delicada. É como escutei várias vezes: vivemos em um mundo onde todos querem dar opinião sem ao menos pesquisar e entender o mínimo a respeito do argumento contrário.

Aos amigos católicos, eu diria que o CIC trata o tema de forma clara, sucinta e objetiva, vejamos: “Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objetivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição” (2358 CIC), o parágrafo começa considerando que as motivações para as tendências homossexuais são relevantes, e diz claramente que não se deve agir com intolerância, ou seja: “Amarás teu próximo como a ti mesmo”, são tão dignos de serem amados como qualquer outro, e à luz da própria doutrina cristã eles podem exercer o direito natural do livre-arbítrio e se relacionarem como queiram, ainda assim, suas escolhas devem ser respeitadas por todos. Porém, deve-se também ser respeitada a opinião em contrário, é do mesmo modo um direito natural não concordar com a prática sexual dos homossexuais.

Os textos que li anteriormente, atribuídos às pessoas famosas, argumentam que a união homossexual, a qual os cristãos defendem não ser natural, é percebida na natureza animal; dizia que outras sociedades, não cristãs, sempre aceitaram como algo normal a homossexualidade e, portanto, seria um argumento inválido dizer que a união homossexual é contrária à lei natural. Perceba que o afirmativo é traçado em cima de uma linha de raciocínio baseada na ação de animais irracionais e numa sociedade em que o conceito de moral era hedonista e egocêntrico (conceito que vem crescendo novamente com a ditadura silenciosa do materialismo), como por exemplo: os povos bárbaros, gregos antigos, romanos pagãos, entre outros. Sociedades em que: assassinato era sinal de honra para os bárbaros; eliminar pessoas consideradas “imperfeitas”, por uma deficiência física, para os espartanos; matar crianças ser comum quando o sexo do bebê não fosse o desejado; dentre inúmeros costumes impetuosos e de execução absolutamente condenadas pela Declaração de Direitos Humanos. Atitudes repudiadas por qualquer pessoa de moral ocidental.
Vejamos o que o CIC diz: “A homossexualidade designa as relações entre homens ou mulheres, que experimentam uma atração sexual exclusiva ou predominante para pessoas do mesmo sexo. Tem-se revestido de formas muito variadas, através dos séculos e das culturas. A sua gênese psíquica continua em grande parte por explicar. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a Tradição sempre declarou que «os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados». São contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afetiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados”. (2357 CIC), ou seja, a doutrina explica que na perspectiva cristã o natural é a possibilidade de perpetuação da criação divina por meio de uma ação humana chamada procriação (na própria palavra percebe-se o intuído de cooperar com a criação: “pró-criação”), nessa perspectiva a relação homossexual torna-se absolutamente contrária à lei natural, o que nada tem a ver com a relação do mundo na natureza animal (macacos, gorilas, cachorros, ratos).
Ao contrário do conceito de natural desenvolvido pelos defensores do casamento gay, o cristianismo convida seus praticantes a serem santos: “Sede santos como o vosso Pai celeste é Santo” (Mt 5, 48), é um convite a ser diferente, a não ser como o comum (profano), a palavra “santo” no hebraico partiu de um outro conceito primitivo, o conceito de “separação” em que separa o sagrado do profano. Aqui, no mundo, o comum é ser como os animais irracionais ou como as sociedades hedonistas em que o que vale é saciar todo o desejo do homem e, assim, acaba por se tornar escravo de seus próprios desejos. Já o cristianismo convida o homem ao autocontrole, a ter domínio de seus desejos, o que o torna inteiramente livre. Neste sentido é que o CIC diz: “As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã” (2359), esse chamado a vida casta não se restringe somente a eles por serem homossexuais, ele é feito a todos os namorados, a todos os solteiros, a todos os casais que vivem um matrimônio com algum tipo de impedimento (como casamentos de segunda união) até que se regularize a situação, aos religiosos, e assim por diante. Pois, a relação sexual faz parte de um sacramento em renovação da aliança feita entre homem, mulher e Deus, ou seja, o matrimônio.

Aos homossexuais, deve-se dar e garantir todos os direitos civis de união estável. Por motivos financeiros e de justiça, baseado na produção patrimonial dos indivíduos e no próprio livre-arbítrio. Porém, deve-se coerência às escolhas efetuadas. Qualquer criança compreende que as suas escolhas levam a certos resultados, qualquer equação demonstra que as variáveis determinam o produto. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” (Antoine de Saint-Exupéry), portanto se escolhes uma relação homossexual, aceitas que não poderá fazer parte na cooperação da criação, ou seja, dessa relação jamais será possível dar origem a uma nova vida. É isso que a Igreja e os cristãos não podem, em hipótese alguma, aceitar ou aprovar, não se pode equiparar uma relação homossexual a uma relação familiar com os frutos de uma relação afetiva entre homem e mulher. É simples, é uma questão puramente de coerência na escolha. Tem-se o direito de escolher, mas também arcar com as consequências da escolha. Essa mesma consequência é aceita por aqueles que decidem, livremente, viver uma vida de Religiosos Consagrados (Monges, Freiras, Freis,...), Padres, Bispos, Papa.

Não vou me debruçar a respeito de certos aspectos da discussão como a imposição de não se poder usar o termo “homossexualismo”, em que se argumenta que tem conotação de classificar, pelo sufixo, como doença. No entanto encontram-se centenas de palavras com o mesmo sufixo e a maioria nada tem a ver com tipos de doença. Ou classificar a relação homossexual como homoafetiva, pois afeto por pessoas do mesmo sexo todos tem, ou os filhos do sexo masculino nutrirem afeto pelo pai, ou por um amigo, ou por um irmão é homossexualismo? O que diferencia um do outro são o desejo (tendência) e a prática (atividade) do ato sexual com pessoas do mesmo sexo.

Qualquer um pode discordar do que escrevi e isso é liberdade de expressão. O que não pode ser tolerado é eu não poder me expressar, isso seria censura e intolerância, aspectos claros de um estado não democrático, ou melhor: ditatorial.

R.B. Figueiredo

quarta-feira, 27 de março de 2013

Disse o Papa Francisco: “Nunca sejais homens e mulheres tristes: um cristão não o pode ser jamais!".


Olá! Faço parte de um movimento da Igreja Católica Apostólica Romana, chamado Equipes de Jovens de Nossa Senhora – EJNS, que tem como carisma: “As EJNS são um movimento católico, cristocêntrico, que propõem a seus membros uma vida de equipe para ajudá-los a progredir em esclarecido no amor de Deus e do próximo.” (www.ejnsbrasil.com.br), a bem da verdade na Equipe de Base a qual faço parte e que temos como padroeira Nossa Senhora Rosa Mística, esse esclarecimento se dá por meio de estudos doutrinários e teologais com a ajuda de nosso conselheiro espiritual.

Essa semana uma irmã de equipe manifestou uma alegria ao citar a frase que o Papa Francisco disse no domingo de ramos: “O cristão não pode ser triste nunca.”. Inspirado no carisma das EJNS eu fiz um questionamento a fim de não ficar na superficialidade da frase o que poderia levar a ideia de que o cristão deve estar sempre alegre e saltitante (risos). A meu ver não tem nada de superficial, muito pelo contrário, há uma riqueza profunda de embasamento nesta frase tão simples. E as perguntas foram:

Quais os motivos para o Papa afirmar isso? Não ser triste é apenas ser sempre sorridente e agitado ou a felicidade se mostra de outras formas?

Houve várias respostas ótimas e bem interessantes, mas vou citar a minha, pois escrevê-la me levou a uma reflexão que externarei mais a diante.

Nossos irmãos primogênitos, os Judeus, estavam à espera do messias e isso preconizava uma triste realidade: os céus estavam fechados à humanidade. Portanto, os momentos de dificuldade eram acompanhados de grande falta de esperança e uma sensação profunda de abandono, o que levava a uma tristeza imensa, como até mesmo o próprio Cristo disse para se referir aos salmos, no momento de sua angustia suprema: "Minha alma está triste até a morte" (Mt 26, 38).
No salmo 41 o salmista nos trás essa perspectiva: "'Porque estás triste, ó minha alma, e te perturbas dentro de mim? Espera em Deus: ainda o poderei louvar, a Ele, salvação do meu rosto e meu Deus' (Sl 41, 6. 12; 42, 5). Este apelo, repetido duas vezes no mesmo Salmo, e uma terceira vez no Salmo seguinte, é um convite dirigido pelo que reza a si mesmo, com vista a afastar a tristeza por meio da confiança em Deus, que certamente se manifestará de novo com o Salvador." (Papa João Paulo II, Quarta-feira, 16 de janeiro de 2002) ou seja, havia uma angustia na espera pelo salvador, com Cristo e sua ressurreição não há motivo algum pare se angustiar e entristecer, pois Cristo está conosco a todo momento, espiritualmente e corporalmente na Santíssima Eucaristia.  Com sua ressurreição a morte foi derrotada e as portas dos céus se abriram e com a ascensão de Cristo nossa humanidade adentrou os céus.
Portanto, todas as dificuldades que passamos na terra são permitidas por Deus para nossa própria conversão: "Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás." (Lc 13, 8-9) ou seja, não há motivos para se revoltar, quando Deus permite que o vinhateiro coloque "bosta", "merda", "esterco" em nossas vidas é para que nos convertamos, pelo contrário, é por meio de nossos sofrimentos, é abraçando nossa cruz e seguindo a Cristo que entraremos com Ele nos céus: "Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz sobre si e segue-me." (Mt 16, 24) . Assim, o Cristão não pode nunca ser triste, pois ele tem a certeza da felicidade eterna, independente de qualquer tormenta em sua peregrinação terrena.

E ainda poderia ter citado na resposta a vida de vários santos como a Beata Chiara Luce Badano do movimento dos Focolares (aconselho a pesquisar a respeito da vida dessa menina), uma história recente e muito comovente.
Entretanto, minha própria resposta me levou a uma reflexão: Muito legal ter chegado a essa resposta, mas quão difícil é viver isso de fato. Percebi que chegar a essa vivência seria praticamente ser santo, e falta-me muito, muito mesmo para chegar lá, pois sou um pecador e escravo dos meus mais íntimos pecados.
Em outro texto (publicado neste blog) comentei sobre dois tipos de viver a fé cristã, seria a simples fé sem questionamentos, e a fé que busca compreender o motivo das coisas por meio do estudo. Esse texto foi muito criticado, pois aparentou ser uma critica ao primeiro tipo de vivência da fé cristã, mas nunca foi minha intenção. Tudo isso me levou a perceber que o modo como estudamos na Equipe de Base que faço parte e influenciado por uma frase que ressoa há muito tempo em meu coração: “É preciso conhecer para amar.” (ouvi de um Padre no Encontro Nacional das EJNS realizado em 2004 no Rio de Janeiro), me levou a ter uma fé igual à de São Tomé, na qual eu preciso entender para acreditar. Felizes os que acreditaram sem ver! Agora admiro mais os que têm a fé e levam uma vida santa até a morte sem buscar compreender e estudar a fé que professam, mesmo acreditando que no mundo em que vivemos ter esse tipo de conduta é um tanto quanto perigoso demais.
Quanto mais estudo, mais me apaixono. Quanto mais estudo, mais compreendo que só serei salvo pela misericórdia do Pai, pois eu nada sou.
Suplico a meu Pai Celeste que já que me deste este coração reticente, conceda-me a graça de viver plenamente tudo aquilo que concluo em meus estudos. Ajuda-me, Senhor!

R.B. Figueiredo



Homília do Domingo de Ramos do Papa Francisco: http://www.vatican.va/holy_father/francesco/homilies/2013/documents/papa-francesco_20130324_palme_po.html

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

"Tears stream down your face
I promise you I will learn from my mistakes" (Fix You - Coldplay)
 
 


A culpa


-A culpa é minha!
Esbravejou o doce anjo.

O fato é que a culpa nunca é de ninguém.
Não há como obter a posse da culpa.
Trazer a culpa para si é se auto-consolar.
Essas dores são resultado de tantas outras:
Afeto, ansiedade, angustia, antropofagismo próprio.

Acomodar a culpa no peito é irracionalismo natural.
É justificar a conduta falha sem pensar,
Sem querer raciocinar,
Pois, fazê-lo é ter que agir de outro modo.
Ninar a culpa é se fantasiar
Pra não revelar a face nua e crua.
Difícil é aceitar que nenhuma é despojada de imperfeições.

Revestir-se de culpa é diminuir-se diante do medo.
Medo de se arriscar e expor.
Medo de não gostar do que se pode ver.
Medo de se afogar.
Como li outrora:
“É necessário sair da ilha para ver a ilha.
Não nos vemos se não saímos de nós”.

-A culpa é minha!
Esbravejou o doce anjo.

Depois de algum tempo ele bateu suas grandes asas.
E lá do alto observou melhor.

-Olha!
Admirou aquele anjo, e sorriu.
Sorriu porque a culpa não feriu o coração.
Sorriu porque não a deixou que tomasse posse e obscurecesse sua visão.
Sorriu.

-Amanhã farei melhor!
Dulcificou o doce anjo.


R. B. Figueiredo

quinta-feira, 16 de agosto de 2012


Um espelho

Hoje me defino assim: sou um leigo católico imperfeito, pecador, e, repleto pela ânsia do conhecimento, sem impedir, é claro, passos de fé.
Ao exemplo da Virgem Maria (minha mãe e mãe de Deus), questiono os planos e mistérios divinos, mas não vou deixar de ser obediente e não dar passos de fé.

Hoje penso assim: se digo ser Cristão Católico Apostólico Romano, devo ser coerente com o que me denomino e como tal as implicações a que eu me levo. Em caso contrario, deveria buscar outra denominação, afinal, ninguém me impõe essa crença. Como diria Umberto Eco em “em que crêem os que não crêem”: “Confesso que me sinto até irritado diante dos homossexuais que querem ser reconhecidos pela Igreja, ou dos padres que querem se casar. [...] Há algumas recepções (laicíssimas) em que se exige o smoking e cabe a mim decidir se quero me submeter a um hábito que me irrita porque tenho alguma razão imperiosa para participar de tal evento ou, se quiser afirmar minha liberdade, ficar em casa”. Ou digo, de forma mais brasileira, se não gosto de futebol é um ato de vontade e inteligência meu não assistir a um jogo, seja pela televisão ou mesmo no estádio.
Sendo assim, julgo ter duas formas de o ser. A primeira é a da pura e simples fé, em que escuto o que me é orientado e aceito sem querer saber os motivos teológicos ou doutrinais dessa orientação. A segunda é a da “fé questionadora”, em que busco o sentido teológico ou doutrinal pela qual me é passado uma orientação. Como existem mistérios de fé, em alguns momentos eu terei de dar os ditos “passos de fé”, se quero ser um crente católico, em que não há uma explicação inteligível às mentes humanas.

Hoje a dinâmica do ouvir está deturpada, não se escuta o outro, a cultura da informação em demasia tem gerado uma incompreensão geral. Explico, se uma pessoa começa a dizer uma sentença matemática e há uma intervenção, a conclusão não se conclui, “dois + do... ‘três’ = X”, e ninguém se entende, mesmo tendo o conhecimento técnico. Somado ao não ouvir, temos a cultura do “deixa do jeito que está”, e do se incomodar com os que questionam. Gerando, assim, uma época em que a informação é fácil e rápida, mas ninguém quer se informar, e sem se informar são levianamente persuadidos por questionamentos, reconhecendo-os como legítimos sem buscar respondê-los dentro do que se diz acreditar. É como manipular a legislação para enganar aos que não conhecem a lei e se beneficiar da ignorância alheia.

Por conseqüente, dentro da primeira forma, hoje se encontra o hábito de católicos não concordarem com o que lhes são propostos pela Igreja. Pois, de fato, não se dão ao trabalho de ouvir os pastores a ponto de compreendê-los, não se dão ao esforço de estudar a doutrina e a teologia aplicada, não as pondo em prática. Quando questionados por outras denominações entram em crises existenciais de fé. Porque boiar sobre a água e esperar a salvação é mais fácil do que gastar energia nadando, mas boiando é mais fácil te amarrarem uma pedra no pescoço e afundar.
Hoje (digo hoje, pois ontem não foi sempre assim e amanhã não sei como será. Só tenho o hoje para aproveitar.) busco sempre continuar a nadar, mesmo em tantas vezes me ver parado. Não é por isso que cientistas, filósofos, psicólogos, pesquisadores, estudam sem cessar? Para ter convicção daquilo que se crê? Por isso hoje julgo a segunda forma a mais sadia. Porém, em tudo, é preciso se entregar à Caridade.

terça-feira, 7 de agosto de 2012


Um gesto de amor


Buscar a santidade é um gesto de amor para com Cristo. Todas as ferramentas de auxílio a essa busca: oração, jejum, comunidade, palavra, cantos; são para ajudar a amá-lo mais e melhor. Não há como amá-lo tal como ele amou, e ressuscitado ainda ama, mas buscar amá-lo com todas as forças é o mínimo e o melhor que posso fazer.

Seguir a Cristo não é apenas ser um homem bom, é subir com ele o monte, e ser um homem bom pelo caminho. Subir o monte não significa ir para o alto e sim em direção a morte humana, esvaziar-me da vontade terrena e assumir a condição de peregrino. Segui-lo é tomar minha própria cruz nos ombros e pisar sobre pedras, escutar injurias, ouvir calúnias, sentir cusparadas, consolar àqueles que choram (mesmo com a dor de tantas feridas abertas), ver o nojo na face dos outros, enxergar traições e abandonos, e ainda assim continuar a subir o monte em direção ao calvário.

Contudo, buscar a santidade é um gesto de amor para com Cristo. Pois, carregar minha própria cruz é tirar todo o mínimo peso da minha cruz que está sobre a de Cristo. Ele ainda suportará as chicotadas, os espinhos da coroa e os cravos dos pregos por conta dos pecados que ainda irei cometer.

Buscar a santidade é aceitar e carregar minha própria cruz. Errar não é ser hipócrita, é cair sob o peso das minhas fraquezas humanas, seria hipócrita se quisesse subir o monte sem carregar minha própria cruz.

Perdoa-me, Senhor, por demorar tanto a aceitar minha cruz e pelos momentos que a jogo de volta sobre ti.

A cruz é a escada para a entrada do céu que fica no alto do monte. Conseguir carregá-la até o cume é um gesto de amor para com Cristo e motivo de alegria no céu pela chegada de mais um irmão.